Nascido em janeiro de 1989, em Lisboa, Rui Maria Pêgo cresceu entre microfones e câmaras - afinal, como se costuma dizer, “filho de peixe, sabe nadar”. Filho de Júlia Pinheiro e Rui Pêgo, dois nomes incontornáveis da comunicação em Portugal, já nos habituou à sua presença na rádio, na televisão e no teatro.

Mas por mais habituado que esteja ao palco e ao microfone, admite logo de início que está mais confortável a fazer perguntas do que a respondê-las: “Vou ter que me controlar para não ser eu a fazer as perguntas”, brinca.

Matilde Fieschi

Quando Francisco Pedro Balsemão lhe pergunta se já está farto das comparações com os pais, Rui é direto: já lidou pior. Foi aliás a série Filho da Mãe, que criou entre 2015 e 2016 para o Canal Q, que lhe deu a oportunidade de desconstruir o rótulo de “só tens o que tens porque és filho de não sei quem”. Nas palavras dele:

“Tive a hipótese de virar do avesso o estigma de ‘só tens o que tens porque és filho de não sei quem’ e eu, na altura, queria muito brincar com isso”.

Ainda assim, reconhece que essas comparações são inevitáveis, mas já não surgem tanto. Talvez por não fazer daytime, diz com uma ponta de humor. O teatro também foi fundamental nesse processo de afirmação:

“Fui tentando outras maneiras de esculpir a minha voz e descobrir o meu caminho”.

Do que herdou dos pais, além do amor e da educação, destaca o sentido de humor - uma ferramenta que sempre usou a seu favor. Relembra os tempos em que apresentou o Curto Circuito, onde a sua ironia nem sempre foi bem recebida: “Ok que era um programa para adolescentes, mas estás exposto, tu estás a dizer quem és”. Quando o entrevistador lhe pergunta se usava o sarcasmo como escudo, Rui confessa:

“No começo da minha carreira, não sabia quem era (...) sobretudo quando se é homossexual, se tem um segredo (…) foi um percurso”.

Estudou nos Salesianos de Lisboa e fala da adolescência como uma fase difícil. “Crescer num contexto muito conservador e católico sendo gay - apesar de, na altura, ainda não o saber -, sem referências, é uma aventura complexa”, diz. E vai mais longe: “Crescer LGBT é ser educado para a vergonha num contexto como o português”.

Foi já aos 25/26 anos que decidiu assumir publicamente a sua homossexualidade. Uma decisão que trouxe medo e incerteza: “Achei que a minha carreira ia terminar porque era algo que me havia sido dito repetidamente”.

Podes ouvir o episódio completo do Geração 80 aqui!