A República Democrática do Congo (RDC) apela à União Europeia para que sancione “os altos responsáveis políticos e militares ruandeses”, face à escalada do conflito no leste do país. O ministro congolês da Cooperação Internacional pede a “rápida imposição” de sanções, considerando que “cada dia de inação é contado em vidas humanas”.

O conflito intensificou-se no final de janeiro com a tomada de Goma, capital da província de Kivu do Norte, pelos rebeldes do Movimento 23 de Março (M23), apoiados pelo Ruanda. Em seguida, o M23 decretou unilateralmente um cessar-fogo humanitário e garantiu que não tinha “intenção de assumir o controlo de qualquer outra cidade”.

Mas, na madrugada seguinte, membros do M23 e soldados ruandeses iniciaram intensos combates contra as Forças Armadas congolesas na província vizinha de Kivu do Sul e apoderaram-se rapidamente de uma cidade mineira.

O Ruanda é acusado de querer pilhar recursos minerais congoleses – acusação que rejeita –, ao mesmo tempo que, em Moçambique, ajuda as autoridades a combater insurgentes em Cabo Delgado.

Pedro Seabra, professor auxiliar do ISCTE e subdiretor do Centro de Estudos Internacionais, concorda que há um sentimento de culpa mundial pelo silêncio durante o genocídio de 1994, mas acrescenta que o Ruanda faz uma “instrumentalização” dessa má consciência para “justificar” as suas ações na RDC, por exemplo.

Este episódio foi conduzido pelo jornalista Hélder Gomes e contou com o apoio técnico de Gustavo Carvalho.

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