Nasceu em Vizela, a 12 de abril de 1987, e 37 anos depois é um dos mais reconhecidos rostos da representação portuguesa. Prestes a dar mais uma 'volta ao sol', Diogo Lopes esteve em Alta Definição a partilhar uma conversa intimista com Daniel Oliveira, este sábado, 5 de abril.

Depois de ter falado sobre a filha, a pequena Eleanor, o ator que interpreta Rafael na novela da SIC, A Herança, acabou a recordar uma fase "menos boa" em particular: o "divórcio" dos pais durante a sua adolescência. "Sentia que se calhar não era justo estar a passar por aquilo", começou por confessar.

"É sempre difícil. É sempre uma fase de alguma uma revolta. É quase como se o teu ideal de casa, o teu castelo, desabasse. Acaba sempre por ser muito difícil quando a tua casa, o teu castelo já não é o teu castelo e às vezes é zona de conflito, de discussão e tu percebes que não é bom e isso gera-te algum mau-estar", explicou Diogo Lopes.

O ator explicou ao diretor do programas da estação televisiva de Paço de Arcos que o afastamento entre os progenitores não foi verbalizado - "simplesmente aconteceu", era "uma coisa expectável" - recordando que anos antes, durante a sua infância já tinha dito à mãe para seguir outro rumo. "Eu disse à minha mãe: 'Mãe, tens de te separar. Vocês têm de se separar', porque eu sabia que aquilo não era correto. Não era bom para os dois", lembrou.

Do divórcio à "ligação incrível" com a mãe

Ainda que o casamento entre os progenitores tenha chegado ao fim, por viver num "meio pequeno", Diogo Lopes "acabava sempre por ver tanto um como o outro, estar com um ou com outro", mitigando desta forma as saudades de ambos. Mas foi com a mãe que "inevitavelmente" criou uma "ligação diferente".

"A minha mãe costuma dizer uma coisa muito engraçada, que eu sou o porto seguro dela e ela o meu. E sempre foi assim, desde muito cedo. (...) Fui quase como obrigado a colocar-me não só como filho, mas como protetor. Isso se calhar fez-me crescer um bocadinho mais rápido, nesse aspeto, mas ao mesmo tempo construí uma ligação incrível com a minha mãe", revelou.

O ator acredita que assumiu "um papel que não é suposto uma criança assumir tão cedo, uma coisa tão responsável" ao tomar como certo que iria tomar conta da mulher que o trouxe ao mundo. Questões como "'Correu bem o dia? Trabalhaste muito? Trabalhaste pouco?'" faziam parte do "cuidado" constante que o filho demonstrava ter pela mãe.

"A minha mãe é cabeleireira e sempre tive a lembrança de ver a minha mãe trabalhar muito. E eu preocupava-me com ela, com o trabalho, porque sei que é uma coisa muito importante para ela. Tem esta preocupação de proporcionar aos filhos e de dar o melhor, acho que herdei um bocadinho [isso]", disse, acrescentando que sabe que foi "protegido demais", mas que "fazia questão de o fazer".

As marcas do passado num homem de 37 anos

Olhando para trás, a vivência do término da relação dos pais em tão 'tenra' idade deixou marcas para a vida, mas Diogo Lopes orgulha-se de como se vê atualmente.

"Vejo um miúdo que apesar de tudo, apesar de ser difícil aquilo tudo que ele estava a passar, olho e...'Fixe! Parabéns! Lidaste com isso de uma maneira porreira. Apesar desse sofrimento, dessa coisa menos boa que te aconteceu, soubeste tirar o melhor da situação e tens tentado transferir isso para a forma como tratas os outros", concluiu.