
Manuel Cajuda treinou sete clubes no estrangeiro, numa aventura que começou em 2005/2006 no Zamalek (Egito), com um 2.º lugar no campeonato e uma derrota (0-3) a final da taça com o Al-Ahly, treinado por Manuel José, que também foi o campeão.
Eu não falava com ninguém. Não sabia falar árabe, falava muito mal inglês, e só falava português quando tinha o tradutor no treino. Não sabia pedir comida nos restaurantes, estava sozinho, comia no hotel
«Nunca tinha saído do país, na altura os treinadores portugueses não eram muito solicitados como são, felizmente, agora. E eu fui para o Egito e uma das exigências que o Zamalek me pôs foi que não podia levar adjuntos. Tinha a minha equipa técnica, ou aceitava ou não. Aceitei, fui sozinho e recordo-me que foi muito difícil», relembra.
«Eu não falava com ninguém. Não sabia falar árabe, falava muito mal inglês, e só falava português quando tinha o tradutor no treino. Não sabia pedir comida nos restaurantes, estava sozinho, comia no hotel. Recordo-me de, entre aspas, passar fome, porque não sabia pedir a comida que queria. Então, ao pequeno-almoço, levava sempre comida para o quarto, para comer ao final do dia», explicou.
Para o antigo treinador, o Zamalek foi inesquecível, apesar de não ter conquistado títulos: «Foi um privilégio fantástico treinar um clube com 20 milhões de adeptos, é qualquer coisa do outro mundo. Só que tive azar, ao lado estava um clube melhor do que o meu, ou pelo menos melhor orientado pelo Manuel José, que era o treinador-faraó que ganhava tudo, mas eu era o mais simpático.»
Cajuda recordou um episódio na final da Taça do Egito (05/06) entre os dois clubes: «Para meu espanto, no estádio estava a bandeira do Egito e a portuguesa. E foi até o Sr. Manuel José, como eu gosto de lhe chamar, que me chamou a atenção para isso. Ganhou ele e ganhou muito bem, tinha melhor equipa do que a minha, e provavelmente era melhor treinador do que eu.»