
Com o fim da data limite para a apresentação oficial dos dossiers de candidatura ao Comité Olímpico de Portugal a encerrar esta quinta-feira, os dois concorrentes a presidente: Laurentino Dias e Fernando Gomes, acompanhados pelos respetivos mandatários, apoiantes de federações olímpicas, aspirantes a secretário geral do organismo e elementos para os corpos sociais, deslocaram-se à sede do COP, em Lisboa, para entregar a documentação ao presidente da Comissão Eleitoral Vasco Lynce e a um dos outros dois membros da comissão, João Mariz Fernandes.
Rosa escusou-se a falar sobre o apoio a Gomes ou até mesmo sobre o seu estado de saúde após ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica. Mas garantiu que «estou bem. A recuperação está a correr bem».
Laurentino Dias fê-lo de manhã, Fernando Gomes à tarde numa comitiva que incluía Rosa Mota. Apesar do pedido do nosso jornal, Rosa escusou-se a falar sobre o apoio a Gomes ou até mesmo sobre o seu estado de saúde após ter sido submetida a uma intervenção cirúrgica. Mas garantiu que «estou bem. A recuperação está a correr bem».
E assim parecia. O sorriso e maneira de estar da campeã olímpica, tal como as suas habituais brincadeiras com as palavras, não indicavam o contrário. Se não soubesse, ninguém diria que havia sido operada a um aneurisma da aorta abdominal há pouco mais de três semanas.
As razões de cada candidato à sucessão do atual presidente Artur Lopes já há muito que têm vindo a ser divulgadas, mesmo pelos próprios, mas havia uma pergunta a fazer a Fernando Gomes depois de, na passada semana, o antigo secretário de Estado do Desporto e Juventude Laurentino Dias ter revelado que o ex-presidente da federação de futebol nunca participou em assembleias gerais, assembleias extraordinárias, ao que consta num total de 35, assim como em todas as reuniões de presidentes federativos do COP ao longo do três mandatos que esteve no comando da FPF.
Tendo declarado o apoio oficial de 18 federações olímpicas – Laurentino conta com 14m mas há várias que não declararam a intenção de voto no próximo dia 19 –, A BOLA perguntou a Fernando Gomes se custa ouvir que, durante 12 anos, não ligou ao Comité Olímpico? Ganhou fôlego antes de responder.
Não sou político, acho que o desporto não é político e, portanto, tenho alguma dificuldade de entender algumas mensagens que se querem passar»,
«Sinceramente, tenho uma forma de estar na vida diferente. Não sou político, acho que o desporto não é político e, portanto, tenho alguma dificuldade de entender algumas mensagens que se querem passar», começou por salientar.
Chegámos à conclusão que o futebol seria representado pelo seu primeiro vice-presidente, Hermínio Loureiro. O qual esteve no Comité Olímpico no primeiro e no segundo mandato de Constantino.
«Estivemos, desde o primeiro momento, na primeira eleição de José Manuel Constantino. Participamos ativamente na sua eleição em 2012. Naquele momento, quando nos pediu que participássemos na Comissão Executiva, em conjunto - porque sempre mantivemos um diálogo permanente - chegámos à conclusão que o futebol seria representado pelo seu primeiro vice-presidente, Hermínio Loureiro. O qual esteve no Comité Olímpico no primeiro e no segundo mandato de Constantino», explica antes de ir ainda mais fundo ao assunto.
Desafiamo-lo a apresentar um terceiro mandato. Não tenho dúvidas nenhumas que fomos nós que tomámos essa iniciativa, mais ninguém.
«E todos sabem, e há, inclusivamente, dois presidentes de federações que estiveram nessa reunião, em novembro de 2021, quando José Manuel Constantino tinha tomado a decisão de não se recandidatar [ao COP], nesse encontro promovido por mim, juntamente com mais quatro presidentes de federações, desafiamo-lo a apresentar um terceiro mandato. Não tenho dúvidas nenhumas que fomos nós que tomámos essa iniciativa, mais ninguém», reforça.
«No final, Constantino aceitou o nosso desafio e, no dia seguinte, anunciou a recandidatura ao terceiro mandato. E mesmo nesse terceiro mandato pediu-nos para continuarmos com um elemento do futebol na Comissão Executiva. Chegámos ambos à conclusão da inclusão do Pedro Dias [atual Secretário do Estado do Desporto] na Comissão Executiva», completa.
Recordo-me que a poucos dias da inauguração da Cidade do Futebol, todas as federações estiveram numa reunião comigo a falar sobre os problemas que as modalidades tinham. São formas de estar, de ser, não gostamos, por feitio e formação, entrar nesse tipo de questiúnculas.
«Dizer que estivemos afastados, sinceramente… Recordo-me que a poucos dias da inauguração da Cidade do Futebol, todas as federações estiveram numa reunião comigo a falar sobre os problemas que as modalidades tinham. São formas de estar, de ser, não gostamos, por feitio e formação, entrar nesse tipo de questiúnculas. Acho que não é nada positivo para o desporto. O nosso registro, em termos daquilo que se passou ao longo dos 13 anos, foi de apaziguamento, lealdade, correção no tratamento e é exatamente dessa forma que vamos continuar a ser, independentemente daquilo que se passar à nossa volta», concluiu.
Parafraseando José Manuel Constantino: ‘a política deve estar afastada do desporto’. Sigo exatamente essa mensagem, a política deve estar afastada do desporto, deve o desporto fazer o seu caminho
Voltando ao que disse, por não ser político esta é a sua maneira de estar? «Sim, a minha maneira de ser. Nunca estive envolvido em política. Provavelmente, esta afirmação não significa nada contra os políticos. Têm a sua forma de ser, vivem da mesma forma, só que acho que neste caso concreto e numa organização como o Comité Olímpico de Portugal, parafraseando José Manuel Constantino: ‘a política deve estar afastada do desporto’. Sigo exatamente essa mensagem, a política deve estar afastada do desporto, deve o desporto fazer o seu caminho», rematou.