
Um grupo de organizações civis e grupos conservadores latino-americanos manifestou ontem apoio ao envio de navios norte-americanos para perto da costa da Venezuela e instou o Presidente norte-americano, Donald Trump, a replicar esta pressão contra outras nações da região.
"As forças do bem, da legítima defesa, da libertação desta grande nação, os Estados Unidos, estão nas Caraíbas para combater um dos maiores flagelos que a humanidade enfrenta: o narcotráfico", sublinhou Luis González, professor venezuelano da Universidade Internacional da Florida (FIU), num evento em Miami.
González, que estava rodeado de líderes civis e políticos cubanos, venezuelanos, nicaraguenses e de outros países da América Latina, sustentou que estas foram "horas extremamente importantes para a história da humanidade".
"Estamos mais perto de acabar com 'um Estado Frankenstein'", sublinhou, em referência à Venezuela de Nicolás Maduro.
"Pedimos que [todos os países das Américas] se manifestem a favor desta ação humanitária contra o narcotráfico e o narcoterrorismo", acrescentou.
No evento, que serviu para promover a iniciativa 'Aliança pela Liberdade da América', esteve também Nelly Argüello, representante da associação VenAmérica.
Argüello lamentou que, na Venezuela, as instituições "estejam sequestradas" e "não haja segurança de direitos", considerando, por isso, que a manobra de Trump abriu "a porta à liberdade" para o seu país de origem.
"Deu-nos a oportunidade de ver o que realmente está a acontecer nos nossos países e em toda a América Latina", apontou.
O presidente do Partido Nacional Cubano, Eduardo Arias, expressou que "é chegada a hora de pôr fim a este flagelo político e social".
"Espero que os acontecimentos em curso sejam suficientemente precisos e exerçam pressão suficiente para que, antes do final deste ano, possamos libertar estes países: Venezuela, Cuba, Nicarágua e aqueles que atualmente sofrem com governos de esquerda", frisou.
Já a diretora executiva de "Uma Voz pela Liberdade", a venezuelana Mariela Giménez, destacou o papel que a comunidade internacional deve desempenhar na libertação da Venezuela e insistiu que este é o momento de apoiar Trump, apesar de algumas das suas medidas poderem parecer contraproducentes para os venezuelanos.
Também o líder comunitário hondurenho Orlando López apelou à extensão do apoio de Trump às Honduras, onde se realizarão eleições gerais em novembro.
Nos últimos dias, os Estados Unidos mobilizaram mais de 4.000 soldados, incluindo cerca de 2.000 fuzileiros navais, bem como aeronaves, navios e lançadores de mísseis, para patrulhar as águas próximas da Venezuela e das Caraíbas, com o objetivo de combater os cartéis de droga.
O contingente inclui três contratorpedeiros (USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson), três navios de transporte anfíbio (USS Iwo Jima, USS San Antonio e USS Fort Lauderdale), o cruzador de mísseis guiados USS Lake Erie e o submarino nuclear USS Newport News.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, destacou esta semana que a operação faz parte dos esforços de Washington para combater o Cartel dos Sóis, uma conhecida organização criminosa composta por militares venezuelanos e designada pelos EUA como organização terrorista.
As autoridades norte-americanas identificaram Nicolás Maduro como o líder do Cartel dos Sóis e, por isso, um fugitivo com acusações pendentes de tráfico de droga.
Esta mobilização surge numa altura em que aumenta a pressão sobre Maduro, cuja recompensa por informações que levem à sua captura foi recentemente duplicada pela administração Trump para 50 milhões de dólares.