
Tem 48 anos, vem de Vila do Conde e carrega uma história de vida fora do comum. João Oliveira, que surpreendeu a família com a decisão de ir à procura do amor no programa da SIC, Casados à Primeira Vista, foi adotado em bebé e, em exclusivo à TV 7 Dias, o seu irmão gémeo conta tudo o que se passou.
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Mãe biológica já morreu e pai é incógnito
João e Paulo eram ainda bebés quando a mãe biológica os entregou àqueles que viriam a assumir o papel de pais na vida destes gémeos, que sempre souberam que eram adotados. “Desde que eu me conheço a pensar e me conheço a perceber as conversas, ela sempre contou. Ela nunca escondeu nada, sempre disse as coisas, foi muito aberta connosco”, começa por dizer o cunhado de Rute Ah Chack, que nos adianta que, embora conheçam a mãe biológica, a pessoa que na vida de ambos cumpre o papel da maternidade é a mãe adotiva. “Para mim, a mãe foi aquela que esteve comigo ao colo, que sempre esteve comigo nos bons e nos maus momentos”, complementa.
Apesar de saberem que existia uma mãe biológica, os gémeos só a conheceram pouco antes de entrarem na adolescência e a reação foi de uma total estranheza e espanto. “Ela apareceu, conheci-a, ‘olá, tudo bem’ e pronto. Mais nada. Eu sigo a minha vida e ela segue a dela. Não há aqui muita coisa a dizer sobre isso”, pois, refere, “não existe nenhuma ligação emotiva”.
Mas, afinal de contas, o que levou esta progenitora a abdicar de dois dos seus filhos? “A minha mãe sempre foi enfermeira, o meu pai também trabalhava na área da saúde e, portanto, foi simplesmente por falta de condições financeiras. Foi no hospital. Em 1979 não havia muito a política que existe agora. Em 1979 era nos hospitais que se entregavam as crianças. Foi nada mais do que um acordo de cavalheiros dentro de um hospital. Porque antigamente podia-se fazer isso”, esclarece.
Tanto João como Paulo acabaram por nunca criar nenhuma relação afetiva com a progenitora. Caso o pretendessem fazer, agora já não tinham possibilidade, pois “já faleceu há uns anos”. Quanto ao pai, é incógnito, nunca chegaram a saber quem era. Contudo, os gémeos têm mais família com a qual não se relacionam. Têm irmãos de sangue e até sabem quem são. “Sei onde estão, mas não conheço, nem tive qualquer tipo de ligação. Há muitas mães que adotam e que não falam ou que demoram muito tempo a falar com os filhos. A minha mãe sempre contou tudo. Agora, da parte da outra família, que adotou os outros irmãos biológicos, pode não haver essa abertura. Portanto, certamente não vou estar a procurar uma pessoa que não sei muito bem se me quer procurar. Mais vale manter a vida que a gente leva do que estar a ir à procura de coisas que não valem a pena”, esclarece.
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Texto: Carla Ventura (carla.ventura@impala.pt); Fotos: Divulgação e Reprodução SIC