O utilizador final deve estar “no centro das iniciativas” de pagamentos na Europa, defende Jorge Paulo, presidente do novo Grupo de Trabalho Mobile, Cards and Point of Interaction (MCWG) do European Payments Council (EPC). No novo papel em que terá a responsabilidade de definir a estratégia do EPC para facilitar os pagamentos através de aplicações e cartões digitais, Jorge Paulo considera que “é fundamental garantir que as soluções desenvolvidas respondem às necessidades dos utilizadores e proporcionam uma experiência de pagamento segura, eficiente e conveniente”.

O MCWG tem como principais objetivos facilitar a adoção de novas tecnologias e melhores práticas, colaborando com os diversos ‘stakeholders’ de forma a impulsionar o desenvolvimento do mercado de pagamentos europeu. Como tal, deverá ter também um foco na interoperabilidade, segurança e colaboração entre intervenientes. Ao Jornal PT50 Jorge Paulo refere que, para isso, é preciso “promover a colaboração entre os membros e garantir que todos estão alinhados com as metas e prioridades estabelecidas”.

O grupo de trabalho pretende construir sobre a base de colaboração e trabalho já estabelecida no European Payments Council, nomeadamente pelos grupos de trabalho anteriores, como o Cards Working Group e o Mobile Payments Working Group. “A continuidade desse trabalho é essencial para promover a adoção de pagamentos digitais na União Europeia”, explica.

Outro foco importante será fomentar a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento. “Trabalhar em conjunto para garantir que os sistemas sejam interoperáveis facilitará as transações entre diferentes plataformas e países, promovendo uma experiência de utilizador fluida e integrada. A colaboração com outras entidades e stakeholders será fundamental para alcançar esses objetivos e promover a adoção de pagamentos digitais na União Europeia”, acrescenta.

O também diretor do Departamento de Gestão de Produtos da SIBS acumulou experiência com o projeto EuroPA, que ficou operacional nesta semana para agilizar os pagamentos instantâneos entre Portugal, Espanha e Itália. Uma experiência que considera ser “bastante útil” para as iniciativas do MCWG que agora vai coordenar. “A experiência no EuroPA ensinou-me a importância da colaboração transfronteiriça. Incentivar a colaboração entre diferentes países e regiões será um desafio para o MCWG, pois isso ajudará a criar uma infraestrutura de pagamentos mais integrada e eficiente”, refere. Para além disso, esta experiência “também reforçou a importância de manter o utilizador final no centro das iniciativas”, acrescenta.

À procura da soberania europeia

O Banco Central Europeu (BCE) tem vindo a referir que é preciso garantir a soberania europeia na área dos pagamentos, uma vez que a Europa está muito dependente de soluções de pagamentos de origem americana, como a Visa ou a Mastercard, para além das novas soluções de pagamento digitais, como a Apple Pay ou a Google Pay.

Em resposta, este novo grupo de trabalho pretende marcar a viragem da União Europeia para as transferências instantâneas. “A soberania europeia, na área dos pagamentos, é um tema profundo e complexo”, salienta Jorge Paulo, que espera que o grupo de trabalho que agora preside “poderá ter um papel muito relevante, ao contribuir na definição de uma infraestrutura de pagamentos integrada e interoperável em toda a Europa, baseada em tecnologia e empresas europeias”.

Porém, promover a cooperação, a interoperabilidade e a segurança trazem desafios. Um dos maiores é superar a fragmentação existente entre diferentes sistemas de pagamento. “Garantir que esses sistemas possam comunicar e funcionar juntos, de maneira eficiente, é essencial para criar uma infraestrutura de pagamentos integrada”, sublinha o presidente do MCWG.

Destaca também que é preciso implementar medidas de segurança para proteger os utilizadores contra fraudes e ataques, dado o aumento das ameaças, nomeadamente com recurso a inteligência artificial para detetar e prevenir comportamentos suspeitos.

“A colaboração entre diferentes stakeholders do setor é essencial para superar esses desafios. Trabalhar em conjunto para partilhar conhecimentos e melhores práticas ajudará a resolver desafios comuns e a promover a interoperabilidade e segurança dos pagamentos na Europa”, sublinha.

É também expectável que o trabalho do MCWG tenha impacto no desenvolvimento de normas e regulamentações para pagamentos digitais na Europa nos próximos anos. “Um dos principais objetivos do grupo é harmonizar normas e regulamentações em toda a Europa, facilitando a integração dos sistemas de pagamento. Isso ajudará a criar uma infraestrutura de pagamentos mais coesa e eficiente”, conta o responsável.