
"Esta linha destina-se ao financiamento das componentes de tesouraria e investimento, à uma taxa bonificada", disse Teotónio Comiche, presidente da AMB, no evento de anúncio das medidas para recuperação económica para o setor empresarial moçambicano, em Maputo.
A linha de crédito bonificada é aplicável para micro, pequenas e médias empresas que empregam até 100 trabalhadores e cujo negócio anual não seja superior a 160 milhões de meticais (2,4 milhões de euros).
"A taxa de juro está fixada em 15%, para o primeiro e para o segundo ano e seguintes será de 'prime rate' menos 4%, a isto se junta a isenção de comissões", acrescentou o presidente da AMB.
O limite de financiamento para cada empresa é de 20 milhões de meticais (300 mil euros) e também será exigido que a empresa tenha a sua situação fiscal regularizada.
"A maturidade do empréstimo, ou seja, o prazo de empréstimo, está definido para a componente de tesouraria em 12 meses, enquanto a de investimento é de cinco anos", acrescentou.
Em declarações aos jornalistas à margem do evento de apresentação da iniciativa, a ministra das Finanças de Moçambique, Carla Louveira, referiu que a linha de crédito vai estimular as empresas no âmbito dos esforços para recuperação, destacando que as autoridades estão a trabalhar para a melhoria da segurança.
"De forma conjunta, estamos a trabalhar para a normalização do nosso ambiente. Obviamente que todas as esferas devem trabalhar na sua perspetiva para melhorar a segurança", acrescentou a governante.
Moçambique vive desde outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais de 09 de outubro, que deram vitória a Daniel Chapo.
Atualmente, os protestos, agora em pequena escala, têm estado a ocorrer em diferentes pontos do país e, além da contestação aos resultados, os populares queixam-se do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.
Desde outubro, pelo menos 353 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 3.500 feridos durante os protestos, de acordo com a plataforma eleitoral Decide, organização não-governamental que acompanha os processos eleitorais.
O Governo moçambicano confirmou pelo menos 80 óbitos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades sanitárias, durante as manifestações.
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