
O Presidente dos Estados Unidos comparou hoje as tarifas impostas às importações globais a uma cirurgia, argumentando que "o doente sobreviveu e está a recuperar".
"A operação médica acabou! O prognóstico é que o doente vai ficar muito mais forte, maior, melhor e mais resiliente do que nunca. Vamos tornar a América grande outra vez!", escreveu Donald Trump na rede Truth Social.
Na data que apelidou de "Dia da Libertação", o Presidente norte-americano impôs uma tarifa global de 10% a 184 países e à União Europeia (UE), que em alguns casos subiu para 34% para a China ou 20% para os produtos europeus.
Para impor estas tarifas - que a Casa Branca justificou como uma forma de retaliação pelas barreiras enfrentadas pelas exportações dos EUA em todo o mundo - Trump declarou o estado de "emergência nacional", alegando que a atual situação comercial representa um risco para a segurança do país.
"Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história dos Estados Unidos. É a nossa declaração de independência económica", disse o Presidente, num grande evento na Casa Branca, na quarta-feira.
Hoje, em entrevista à cadeia televisiva Fox News, o vice-Presidente norte-americano, JD Vance, admitiu que os benefícios desta medida não serão vistos de imediato.
"Não vai acontecer imediatamente. Se procurarmos políticas de desregulação e de corte de custos, as pessoas vão ver isso nas carteiras e beneficiar disso", defendeu.
"O que peço às pessoas é que entendam que não vamos resolver as coisas de um dia para o outro", disse Vance, explicando que o Governo está a "trabalhar arduamente para baixar os preços".
A verdade é que o primeiro dia de negociação nos mercados financeiros desde que as tarifas foram anunciadas --- a tarifa geral de 10% entrará em vigor no sábado e a tarifa adicional específica para cada país na quarta-feira --- começou com quedas acentuadas na bolsa de Nova Iorque.
O principal índice bolsista, o Dow Jones Industrial Average, perdeu quase 1.200 pontos, uma queda de 2,75%.
O impacto destas novas taxas foi sentido pelas empresas de todos os setores, que apresentaram uma elevada volatilidade esta manhã: Nike (-11,3%), Apple (-9%), Amazon (-7,7%), Meta (-7,4%), Nvidia (-6%), Tesla (-3,90%), Alphabet (-3,60%) e Stellantis (-3,45%), entre outras.