É a própria Federação Portuguesa de Judo (FPJ) que, nas redes sociais, informa que a sede em Odivelas está a ser alvo de buscas da Polícia Judiciária (PJ) esta quinta-feira.

Sob investição está, de acordo com a Federação, “a gestão por parte do anterior Presidente, no período em que exerceu essa função”.

Os atuais órgãos sociais garantem que estão a “colaborar ativamente” com as autoridades “com o intuito de ver esclarecidas todas as questões suscitas e, consequentemente, ser apurada toda a verdade”.

Jorge Fernandes tranquilo com as buscas

O ex-presidente da Federação Portuguesa de Judo (FPJ) Jorge Fernandes mostrou-se tranquilo com as buscas ao organismo, relativas à sua gestão, e revelou que no mandado a sua casa nada foi levado.

"Acordaram-me às 07:00. Estiveram na minha casa, não levaram nada e disseram mesmo que não havia nada de relevante. Foram ao Judo Clube de Coimbra e levaram documentos, de extratos bancários, não levaram computadores, nem nada de especial", disse à agência Lusa.

Em causa, segundo o mandato emitido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures, a que a agência Lusa teve acesso, estarão crimes de tráfico de influência, abuso de poder e peculato, durante o período em que Jorge Fernandes foi presidente.

"Querem ver se houve influência na atribuição de subsídios ao Judo Clube de Coimbra", adiantou à Lusa o dirigente, acrescentando que não tem nada a temer e que sente existirem represálias da atual direção.

Jorge Fernandes questionou se a atual direção, presidida pelo seu antigo 'vice' Sérgio Pina não poderá, dentro desta linha de raciocínio, ser "incompetente", por ter vários membros que fizeram parte da sua gestão.

"Estou admirado com isto. Já ouvi que foi uma denúncia anónima, mas também que foi da parte da federação", referiu o ex-dirigente máximo da FPJ e que é, ainda, presidente do Judo Clube de Coimbra.

Jorge Fernandes aproveitou para questionar os critérios da própria Polícia Judiciária, ao lembrar que o seu diretor, Luís Neves, veio esta semana, em plena posse do Comité Olímpico de Portugal, ilibar Fernando Gomes de qualquer suspeita quando ainda decorre investigação à venda da antiga sede da FPF.

A finalizar, lamentou, igualmente, o comunicado divulgado pela federação de judo, a expor a situação das buscas, lembrando que quando foi dirigente aconteceu um cenário semelhante no organismo em relação a um mandado de um outro presidente e que ele protegeu a modalidade.

"Estranhamente, é a FPJ que vem falar disto. Qual é o objetivo?", questionou.

Jorge Fernandes saiu envolto em polémicas, incluindo com atletas

Jorge Fernandes saiu do cargo por decisão da Assembleia Geral da FPJ, face a incompatibilidades ao abrigo do artigo 51 do Regime Jurídico das Federações Desportivas, desencadeadas com a contratação do filho e a prática do treino no clube de Coimbra.

Num processo desencadeado pela Associação de Castelo Branco, que apresentou a queixa no IPDJ, o antigo presidente tinha sido antes visado por sete judocas, entre os quais Telma Monteiro, que o acusaram de opressão, entre outras críticas.

Mais tarde, o IPDJ abriu um novo inquérito a Jorge Fernandes, incidindo nas convocatórias da seleção, que alargou posteriormente, já após audição em Comissão Parlamentar, com o secretário de Estado João Paulo Correia a admitir que poderia estar em causa um cenário de abuso de confiança e usurpação de poder por parte do presidente destituído.

Após a 'queda' de Jorge Fernandes, Sérgio Pina foi eleito em abril de 2023 para o remanescente do mandato, até ao final do ciclo olímpico Paris2024, e, em outubro de 2024 foi reeleito, num sufrágio em que Jorge Fernandes se candidatou, sem sucesso.

- Com Lusa