
"Trata-se de um projeto de mil milhões de dólares que está a chegar ao fim, em setembro. Tem sido um projeto maravilhoso", afirmou o presidente e diretor executivo da Sasol, Simon Baloy, após reunir-se na quarta-feira, em Maputo, com o Presidente moçambicano para abordar o projeto, em curso no distrito de Inhassoro, província de Inhambane, sul de Moçambique.
"Este projeto vai permitir não só que o gás entre na produção de energia, como vamos enviar esse gás para a segunda maior central elétrica de Moçambique, o CTT [Central Térmica de Temane] que também está perto da conclusão e que também produzirá GPL [botijas de gás de cozinha] que será utilizado e reduzirá a quantidade de gás que é importado por Moçambique", acrescentou Baloy.
O projeto de PSA preconiza, respetivamente, a produção de 53 milhões de megajoules de gás natural por ano, que irá materializar a implementação da Central Térmica de Temane e a produção de 4.000 barris de petróleo leve por dia, segundo dados do Governo moçambicano.
A CTT terá capacidade para produzir 450 megawatts de energia elétrica e a unidade de processamento 30 mil toneladas anuais de GPL.
"Estamos neste país há mais de 20 anos e estaremos também nos próximos 20 anos e mais. Trata-se, portanto, de um capítulo emocionante na história da Sasol em Moçambique", destacou o líder da Sasol, que lidera o desenvolvimento deste projeto.
O Governo moçambicano, que estimou anteriormente o início da produção naquela unidade em março, prevê que o país vai reduzir em 70% as importações de gás de botija, com o arranque da operação na unidade Inhassoro.
Após cinco meses de agitação social na sequência das eleições gerais de 09 de outubro, o presidente da Sasol destacou os passos que têm sido dados para a pacificação nacional, através do chefe de Estado moçambicano.
"Vimos que houve alguns desafios. Ficámos entusiasmados com a estabilidade que o Presidente está a trazer ao país, juntamente com todos os parceiros, para criar um local propício às empresas. E estamos entusiasmados por continuar a contribuir para o desenvolvimento da Sasol e de Moçambique", disse Simon Baloy.
Horas antes deste encontro, o parlamento moçambicano debateu a lei do acordo político para pacificar o país, que prevê rever a Constituição da República e os poderes do Presidente, uma iniciativa do chefe de Estado e líder da Frelimo, Daniel Chapo, aprovada por unanimidade e aclamação, no mesmo dia.
O dispositivo legal tem por base o acordo entre o Presidente e todos os partidos políticos, assinado em 05 de março, para ultrapassar a agitação pós-eleitoral marcada pela violência nas ruas, e submetido à Assembleia da República para apreciação com caráter de urgência.
No âmbito da reforma constitucional prevista no acordo, são assumidos três objetivos na lei, desde logo na "reforma do Estado", com medidas ao nível do "sistema político, os poderes do Presidente (...), despartidarização das instituições do Estado, descentralização e desconcentração política, económica e financeira".
A lei inclui ainda a "reforma do sistema de Justiça", nomeadamente "mecanismo de indicação dos titulares dos órgãos da Justiça e respetiva independência financeira e administrativa", e a "reforma do sistema eleitoral", neste caso com a "definição de um novo modelo, composição dos órgãos de administração eleitoral, legislação eleitoral, órgãos de justiça eleitoral, entre outros aspetos que contribuam para a integridade de todo o processo eleitoral".
PVJ // JMC
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