A iniciativa legislativa bipartidária partiu do democrata Richard Blumenthal e do republicano Lindsey Graham, com vista "a introduzir sanções primárias e secundárias contra a Rússia e os atores que apoiam a agressão da Rússia na Ucrânia".

Segundo Blumenthal, num anúncio divulgado na terça-feira na sua página 'online' do Senado, o projeto de lei tem o apoio de outros 50 membros republicanos e democratas da câmara alta do Congresso e prevê "uma tarifa de 500% sobre os bens importados de países que compram petróleo, gás, urânio e outros produtos russos".

A legislação complementar, indica, está a ser apresentada na Câmara dos Representantes (câmara baixa) pelos congressistas republicanos Brian Fitzpatrick e Joe Wilson e pelos democratas Mike Quigley e Marcy Kaptur.

As sanções contra Moscovo, dizem os legisladores, "seriam impostas se a Rússia se recusasse a participar em negociações de boa-fé para uma paz duradoura com a Ucrânia", e seguem a linha já admitida pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, de "impor tarifas secundárias sobre todo o petróleo que sai da Rússia".

Os autores do projeto de lei frisam que partilham "a frustração do Presidente Trump com a Rússia quando se trata de obter um cessar-fogo" e expressam apoio ao desejo do líder da Casa Branca de "alcançar uma paz duradoura, justa e honrosa".

Ao mesmo tempo, assinalam que esta iniciativa traduz "a visão dominante no Senado" de que "a Rússia é o agressor e que esta guerra horrível e a agressão de [Presidente russo, Vladimir] Putin devem terminar agora e ser dissuadidas no futuro".

Nesse sentido, invocam o Memorando de Budapeste de 1994 e a renúncia da Ucrânia de cerca 1.700 armas nucleares, em troca da promessa dos Estados Unidos, da Rússia e do Reino Unido de que a soberania ucraniana seria preservada no futuro.

"Isto não conseguiu travar a agressão russa. Em 2014 e 2015, foram alcançados os acordos de Minsk para pôr fim à invasão da Ucrânia pela Rússia [numa referência à península da Crimeia e ao leste ucraniano] mas, mais uma vez, nada fizeram para dissuadir futuras agressões", observam os dois senadores, acrescentando que em 2022, "a Rússia invadiu mais uma vez a Ucrânia, provocando a morte de centenas de milhares de pessoas e a deslocação de milhões".

As sanções, referem, "estão prontas" e, se forem submetidas à Câmara dos Representantes e ao Senado para votação, "receberão um apoio bipartidário e bicameral esmagador", elencando os nomes dos outros 48 senadores envolvidos na iniciativa.

"Esperamos que, em 2025, o Presidente Trump e a sua equipa consigam o que escapou ao mundo no passado: acabar permanentemente com a agressão russa contra a Ucrânia e garantir a capacidade de sobrevivência de uma Ucrânia livre e democrática", declaram ainda os autores do projeto.

O Presidente finlandês, Alexander Stubb, referiu-se hoje a esta iniciativa no Congresso norte-americano, comentando na rede social X que se trata de um pacote de sanções ambicioso que, aliado à imposição à Rússia de um prazo máximo claro para um cessar-fogo incondicional, representa um passo em direção a uma paz justa e duradoura na Ucrânia.

O líder finlandês reuniu-se no passado fim de semana com o Donald Trump, na sua residência em Mar-a-Lago, na Florida, numa viagem informal em que ambos os líderes jogaram golfe e falaram sobre a guerra na Ucrânia.

Segundo Stubb, nesse encontro o líder norte-americano perguntou-lhe se Vladimir Putin, que alegadamente concordou com um cessar-fogo parcial na Ucrânia e depois impôs novas condições e evitou implementá-lo, era de confiança.

O Presidente finlandês respondeu que o líder russo não é de confiança e propôs impor a Moscovo um prazo máximo para assinar um cessar-fogo total e incondicional, que poderá ser 20 de abril, coincidindo com os primeiros três meses do segundo mandato de Trump.

"A melhor forma de parar a guerra de agressão da Rússia é maximizar a pressão sobre Moscovo", insistiu hoje Alexander Stubb.

A Rússia e a Ucrânia acusam-se mutuamente de violação de uma trégua nos ataques a infraestruturas energéticas, anunciada na semana passada por Washington, após reuniões separadas com delegações de Moscovo e de Kiev na Arábia Saudita.

No entanto, não foi mencionada qualquer data exata, quaisquer condições, nem a monitorização do acordo.

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