O pastor evangélico suspeito de auxílio à imigração ilegal e visado numa Investigação SIC emitida na quarta-feira foi, esta sexta-feira, acusado pelo Ministério Público de 13 crimes de auxílio à imigração ilegal e 13 crimes de falsificação de documentos.

Segundo a acusação, os dois arguidos - o bispo evangélico Zaqueu Pereira e a mulher, “ministra de culto e tesoureira” da igreja fundada pelo marido - “obtiveram avultados lucros” não só a cobrar dinheiro a estrangeiros para obterem documentos necessários à emissão do visto de entrada em Portugal e consequente legalização - “documentos esses que os arguidos fabricavam e obtinham, forjando empregos na igreja e carreiras contributivas” - ,mas também através de um “negócio de arrendamento de quartos, em lojas que transformaram em alojamentos, sem condições de habitabilidade, com espaços exíguos, por vezes partilhados por pessoas sem ligações familiares entre si, com casas de banho e cozinhas partilhadas”.

“Estes imigrantes pagavam aos arguidos pelos documentos necessários à legalização e, simultaneamente, “alimentavam” e mantinham em funcionamento, com “clientes” em permanência, o negócio do arrendamento de quartos, do qual os arguidos obtinham avultados proventos”, lê-se na nota publicada pelo Ministério Público.

O esquema que rendia milhares de euros por mês

Mais de uma centena de pessoas estão a viver em condições precárias numa garagem, no Seixal, onde chegam a pagar quase 400 euros por mês por um quarto improvisado, denunciou esta semana a Investigação SIC.

O espaço é gerido por Zaqueu Pereira. Embora afirme que está apenas a ajudar quem não tem onde dormir, recebe milhares de euros em rendas mensais enquanto dezenas de famílias, algumas com crianças, vivem em condições extremamente precárias.

Abrir uma igreja em Portugal está ao alcance de qualquer um, incluindo aqueles que têm a Igreja Católica. Por exemplo, não se paga impostos sobre as contribuições dos fiéis. No entanto, arrendar quartos e cobrar rendas levanta muitas dúvidas à Comissão da Liberdade Religiosa: pode ser liberdade de credo, mas também fuga ao fisco.

Zaqueu Pereira, presidente vitalício da igreja que criou, confirma que estes locais não são exclusivos para os fiéis da igreja.

Zaqueu e a mulher intitulam-se evangélicos há quase 20 anos, metade do tempo no Seixal, antes disso, em Mangualde. Agora, o objetivo é fundar um partido para tentar entrar no Parlamento.

Investigação SIC: conte-nos o que merece ser denunciado através do email investigacao@sic.pt.