
A investigação sobre suspeitas de corrupção no seio do Parlamento Europeu para defender os interesses do grupo tecnológico chinês Huawei resultou até agora na acusação de oito pessoas na Bélgica, anunciou hoje o Ministério Público Federal.
"Na sequência das buscas efetuadas em 13 de março na Bélgica e em Portugal, o juiz de instrução decidiu acusar um total de oito pessoas de, entre outras coisas, corrupção ativa, branqueamento de capitais e participação numa organização criminosa", adiantou o Ministério Público.
Este número não inclui os suspeitos detidos no estrangeiro e reclamados pela justiça belga no âmbito desta investigação, nem revela os nomes dos acusados.
Entre estes, contam-se um consultor de origem portuguesa detido em França e uma assistente parlamentar italiana detida no seu próprio país há duas semanas.
Os investigadores estão a investigar possíveis desvios de fundos ou presentes oferecidos por representantes da Huawei ou lobistas a deputados europeus para defender os interesses deste gigante chinês na implantação do 5G.
O Ministério Público Federal belga fala de corrupção praticada "regularmente" e "muito discretamente" desde 2021, "sob o disfarce de 'lobby' comercial" e assumindo várias formas, como remuneração por assumir cargos políticos e "presentes excessivos", como despesas de alimentação e viagens e convites regulares para jogos de futebol.
Das oito pessoas acusadas em Bruxelas, três foram acusadas entre 20 e 29 de março e ainda estão detidas.
A empresa tecnológica chinesa reagiu ao caso, afirmando ter uma política de "tolerância zero" em relação à corrupção.
"A Huawei leva estas acusações a sério e vai comunicar urgentemente com os investigadores para compreender melhor a situação", afirmou um porta-voz da empresa, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Esta é a segunda vez em menos de três anos que o Parlamento Europeu, a única instituição eleita da União Europeia (UE), é afetado por um escândalo de corrupção.
No âmbito do caso 'Qatargate', a justiça belga investiga desde 2022 factos que envolvem vários antigos eurodeputados socialistas suspeitos de terem sido corrompidos por duas potências estrangeiras, o Qatar e Marrocos.