Em média, e ao longo da escolaridade obrigatória, são poucos os alunos que ficam para trás e não conseguem concluir os estudos no tempo esperado, mas os dados mostram que as dificuldades são sobretudo sentidas pelos estudantes mais carenciados.

Ainda assim, há escolas que conseguem minimizar o impacto das condições socioeconómicas no desempenho académico e onde os alunos beneficiários de Ação Social Escolar (ASE) conseguem mesmo contrariar as expectativas para o seu sucesso.

Essa é uma das conclusões da análise feita pela Lusa ao indicador de equidade que acompanha os alunos com ASE e compara o seu sucesso escolar com a média nacional dos alunos com um perfil semelhante à entrada de cada ciclo de estudos.

No ano letivo 2022/2023, a que se referem os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, 1.228 estabelecimentos de ensino alcançaram níveis positivos equidade, o que representa 56,48% do total de mais de duas mil escolas públicas analisadas.

Do 1.º ciclo ao ensino secundário, é entre o 5.º e 6.º anos de escolaridade que mais escolas foram capazes de minimizar o impacto do contexto socioeconómico nos resultados dos estudantes mais carenciados.

Naquele ano de 2022/2023, 96% dos alunos concluíram o 2.º ciclo no tempo esperado. Olhando apenas para os alunos com ASE, a taxa de conclusão desce para os 92%, mas seis em cada 10 escolas conseguiram que os seus alunos carenciados tivessem mais sucesso do que a média nacional.

Por outro lado, a tarefa parece ser mais difícil quando os jovens chegam ao ensino secundário, sendo também este o nível de ensino em que os alunos carenciados mais se distanciam dos restantes colegas: 70% conseguiu concluir o secundário em três anos, abaixo da média nacional de 77%.

Ao longo do ensino obrigatório, é nesta última fase que menos escolas alcançaram níveis positivos de equidade (50,33%), mas há estabelecimentos que se destacam pela positiva e é precisamente ao ensino secundário que pertence aquela onde os alunos com ASE tiveram mais sucesso em comparação com a média nacional.  

Na Escola Secundária de Monção, só um dos 19 alunos com ASE que entraram para o 10.º ano em 2020/2021 é que não terminou o secundário em três anos.

Olhando para os estudantes com um perfil semelhante à entrada, a taxa de conclusão no tempo esperado de 95% deixa a escola daquela vila raiana 25 pontos percentuais à frente da média nacional de 70%. Se os alunos acompanhassem essa média, seis teriam ficado para trás.

Pela negativa, destaca-se a Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa, onde apenas seis dos 20 beneficiários de ASE terminaram o secundário em três anos, ou seja, 30%, muito abaixo da média nacional de 70%. No caso desta escola, o expectável seria que 14 alunos tivessem sucesso.

Por distritos, mantém-se a tendência dos anos anteriores e se, por um lado, as escolas de Lisboa e Setúbal têm mais dificuldade em contrariar a ligação entre pobreza e insucesso escolar, as escolas de Viana do Castelo e Braga conseguem ultrapassar as desvantagens à partida.

 

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