
Donald Trump denunciou ainda as supostas "tarifas" que os outros países estão atualmente a impor aos Estados Unidos, sendo que os números apresentados não correspondem ao valor atual dos direitos aduaneiros.
Segundo a Casa Branca, a China estaria a taxar os produtos americanos em 67%, contudo em 2024, aplicou uma tarifa aduaneira média de 4,9%, segundo as estatísticas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A diferença é igualmente grande para a União Europeia (1,7%, segundo a OMC, contra 39% para Donald Trump) e para a Índia (6,2% contra 52%).
A Casa Branca afirma ter em conta outras barreiras comerciais para além dos simples direitos aduaneiros, citando nomeadamente as normas ambientais e a manipulação das taxas de câmbio.
O representante do comércio dos EUA publicou uma fórmula com múltiplas variáveis expressas em letras gregas, porém várias variáveis anulam-se mutuamente.
De facto, para calcular os chamados direitos aduaneiros, a Casa Branca divide a balança comercial (a diferença entre importações e exportações) pelo valor das importações - seja qual for o país.
Este cálculo não tem em conta a especificidade das relações comerciais.
"A fórmula baseia-se no valor relativo do excedente comercial com os Estados Unidos", confirmam os economistas do Deutsche Bank.
"Esta abordagem está tão cheia de erros que é difícil saber por onde começar", afirma o economista Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, e salienta que os cálculos apenas têm em conta os bens transacionados, omitindo os serviços.
Aplicando a fórmula publicada pela administração aos dados de 2024 publicados pelo Census Bureau, a AFP obteve os números apresentados pelo Presidente norte-americano.
As novas tarifas anunciadas para cada país correspondem então a este resultado, dividido por dois.
Se a fórmula der menos de 10%, ou se houver um excedente comercial, os Estados Unidos aplicam uma taxa mínima uniforme de 10% sendo o caso de mais de uma centena de países e territórios, incluindo o Reino Unido e a Austrália.
A fórmula utiliza igualmente pressupostos simples para estimar o impacto de um aumento do preço dos produtos importados na procura interna dos Estados Unidos, denominada "elasticidade", esta variável é considerada a mesma para todos os países, independentemente do produto.
No entanto, um dos artigos científicos citados pela Casa Branca para fundamentar a sua fórmula sublinha que a elasticidade "varia consoante o produto e o importador".
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Lusa/fim