
Uma organização não-governamental com sede na Noruega denunciou esta sexta-feira a detenção pela polícia iraniana da cantora Hiva Seyfizadeh durante um concerto numa sala de espetáculos de Teerão.
A organização Hengaw, com sede em Oslo, disse que os motivos da ação da polícia iraniana ainda não são conhecidos. "Hiva Seyfizadeh, 27 anos, foi detida na quinta-feira, na mansão Rooberoo, em Teerão", declarou a Hengaw, uma organização não-governamental que se dedica a denunciar as violações dos direitos humanos na República Islâmica.
Segundo a Hengaw, as forças de segurança de Teerão entraram na sala de espetáculos Rooberoo Mansion, uma instituição que organiza concertos e exposições, e detiveram a cantora, apesar de Hiva Seyfizadeh ter autorização para atuar.
A República Islâmica do Irão só permite que as mulheres atuem em concertos para públicos femininos, sem a presença de câmaras de vídeo ou fotográficas, ou como acompanhantes de cantores masculinos.
A organização Hengaw não explicou as razões da detenção e, até à data, as autoridades não comunicaram o incidente. A sala Rooberoo Mansion anunciou que vai permanecer fechada até novo aviso.
Seyfizadeh, professora de música clássica e cantora, apoiou os protestos de 2022 contra a morte de Mahsa Amini, a A jovem de origem curda que morreu depois de esta ter sido detida por não usar o lenço islâmico. Em dezembro do ano passado, a cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi detida em Teerão depois de ter publicado um concerto sem o véu obrigatório.
A artista foi processada pelo sistema judicial iraniano e libertada sob fiança. Vários músicos iranianos foram condenados a pesadas penas por terem publicado música em apoio dos protestos de Amini, incluindo Shervin Hajipour e o "rapper" Tomaj Salehi, que foi condenado à morte, sentença que foi posteriormente retirada, tendo sido libertado.