A coordenadora do BE insistiu esta quarta-feira na crítica de que "há uma prevalência no Governo e no parlamento de interesses imobiliários", depois de ter elencado um conjunto de governantes com empresas no setor e três terem desmentido esta informação.

"A conclusão política é exatamente a mesma: há uma prevalência, quer no Governo, quer mesmo no parlamento, de interesses imobiliários. E quem olha para a habitação do ponto de vista do imobiliário tem um ponto de vista sobre a habitação que não é o de quem não consegue encontrar uma casa, de quem não consegue pagar a renda. E essa conclusão política mantém-se, independentemente de alguns ministros ou secretários de Estado terem vendido, entretanto, essas participações", defendeu Mariana Mortágua, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Na terça-feira, a coordenadora do BE afirmou que a secretária de Estado da Habitação e outros seis membros do Governo detêm empresas imobiliárias e apelou ao Presidente da República que vete qualquer alteração futura à lei dos solos, que se encontra em apreciação parlamentar.

No mesmo dia, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, negou deter qualquer empresa imobiliária e acusou a coordenadora do BE de ter feito uma declaração "falsa e difamatória".

Também a ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, negou ter participações em empresas imobiliárias, sublinhando que as suas fontes de rendimentos são públicas e que "em política não vale tudo", e o seu secretário de Estado, Alberto Santos, fez saber que cedeu a quota numa empresa comercial antes de tomar posse dia 13 de fevereiro.

BE diz que informação divulgada é pública

Mariana Mortágua defendeu-se, argumentando que a informação divulgada pelo BE é pública e foi consultada na base de dados do Registo Societário do Ministério da Justiça e na base de dados da "eInforma", plataformas que, segundo a bloquista, não dão conta da venda destas participações.

A bloquista acrescentou, contudo, que não tem razões para não acreditar nas declarações destes três governantes, a quem agradeceu "a transparência", mas insistiu nas críticas.

"Uma secretária de Estado do ponto de vista do imobiliário não toma decisões da mesma forma que uma pessoa que não teve empresas de imobiliário. Não tem o mesmo ponto de vista sobre o imobiliário. Esta não é uma questão legal, é uma questão política. Nós vivemos a maior crise de habitação que alguma vez se viveu em Portugal e temos que nos perguntar porque é que temos governos e parlamentares que arrastam o passo sem tomar uma medida que consiga abaixar o preço das casas", criticou.

Com Lusa